Hoje Antonio faz um ano. Um. Ano. O tempo, depois que você vira pai, não passa. Ele te atropela de ré, em câmera lenta, com trilha sonora de berro primal e cheiro de fralda morna no ar. Esse tal "tempo" é uma ficção. Porque desde que esse ser de 75 cm e quase 10 kg chegou, os dias perderam qualquer lógica. Cada hora dura quatro semanas e, ao mesmo tempo, passa num espirro. Ou num pum que assusta e vem com bônus surpresa. Esqueça relógio. Meu calendário agora se mede em mamadeiras, fraldas e agressões com mordedores em forma de girafa. Não acordo mais. Sou expulso do sono com um chute de UFC na traqueia. Seis da manhã não chega. Ela invade. Empurrada goela abaixo como mamadeira morna. E a jornada começa: grito primal, looping de tarefas que fariam Hércules pedir arrego. Mamadeira, cocô, brinquedo sonoro que jamais se cala, choro, risada maníaca, comidinha, refluxo, susto, mais cocô, tentativa frustrada de soneca, água no body como se fosse protesto ambiental....
Disclaimer: esta é uma "sala" da minha vida. Se você discorda, rejeita ou despreza o que escrevo, saia com a mesma elegância com que entrou. Não sou um célebre pensador, tampouco um brilhante escritor (e nem tenho esse desejo). Esclarecido isso, puxe uma cadeira, sente-se (a senha do Wi-Fi você já tem) e "amouse-toi bien".