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A Santidade do Ódio e a Cosmética da Fé

A Santidade do Ódio e a Cosmética da Fé Vamos direto ao ponto. Embora eu não seja um santo - aliás, nem perto disso estou - e reconheça que os pecados são nossos amigos mais íntimos, tenho aqui uma grande incógnita para dissecar: decodificar o código Morse do preconceito em nome da divindade, um assunto que chega a arranhar minha alma, e acredite, ela já está tão arranhada quanto a casca de um coqueiro em praia de surfista. Você se lembra da história Bíblica do "Bom Samaritano", não? Aquele sujeito que, embora desprezado pela sociedade, teve a decência de ajudar um estranho em apuros, enquanto todos os outros passavam batido. Pois bem, na nossa versão moderna do "Bom Samaritano", este personagem está um pouco confuso com essa temática. Ele não perde um culto/missa dominical sequer, mas não estende a mão pro mendigo que está na porta da igreja. É aquele que repete " amar ao próximo como a si mesmo ", mas decide que alguns " próximos " não se enqua...

O Suplício Encantado de Reaprender a Dança das Letras

O Suplício Encantado de Reaprender a Dança das Letras Ah, os gloriosos campos da literatura. O vasto espaço em branco que espera pacientemente as manchas de tinta do autor que, após um longo hiato, decide retornar ao redil. Reaprender a dança das letras, meus caros, é um bicho de sete cabeças, um emaranhado de sentimentos, um caldeirão de desespero e, às vezes, um tanto ridícula. Ainda assim, aqueles dentre nós que ousam dançar com as palavras uma vez mais encontram-se em um verdadeiro campo de batalha. Lá estão eles, os escritores retornantes , frente a frente com a temível página em branco, equipados com nada mais que um arsenal de canetas e um vasto deserto de ideias que se recusam a se formar em frases completas. Durante a pandemia, as palavras pareciam ter fugido de mim como um bando de pombas assustadas. E imagino que você também tenha vivido algo semelhante. O isolamento, a sensação de estar preso em um looping infinito de dias cinzentos, a insuportável leveza de parecer viver ...

(Re)viver.

Existem momentos da nossa existência que são feitos para (re)flexão . Para uns, datas festivas como Natal, Páscoa, para outros o casamento, o nascimento de um bebê, ou a morte de um ente querido. Pra mim, é a semana do meu aniversário. É este o período onde ciclos se fecham para que uma nova jornada possa dar início.  E hoje, a caminho do trabalho, pedalando minha magrelinha no melhor estilo #FariaLimaElevator , dei aquela ( re)visitada no baú das memórias vividas nesses meus 35 anos de “andanças e peripécias”, e me ( re) lembrei de tantas coisas, ( re) cliando momentos e sentimentos.  ( Re) lembrei de como tudo e todos que já passaram pelo meu caminho fazem parte da minha história, para o bem ou mal, e de como, de alguma maneira, eu também faço parte da história deles. ( Re)lembrei de muitas coisas que não couberam nas minhas lembranças, e por isso acabei dividindo com aqueles que cruzaram com a minha vida, mas também ( re) lembrei de algumas que eu guardo s...

#Partiu2018

“Life is a journey” , já disse o poeta-internauta. E se a vida é uma viagem, que a cada 365 dias é renovada com um novo bilhete - trocamos o bilhete n°2017 pelo n°2018 -, precisamos levar alguma bagagem. Malas. E por vezes, o processo de preparar as malas é meio chato, mas necessário.  Oras, o que colocar na mala de 2018, então? (O que você colocaria na tua mala?)  Enquanto olho ao redor de 2107, decido o que entra e o que fica fora da mala de 2018: - Roupa preta vai pra mala.  Quem nunca ouviu que “um pretinho básico” nunca erra?! (E as blogueiras dizem amém!). É a coisa mais versátil que tem, não!? E “versatilidade” entra comigo em 2018. Principalmente gente versátil. Sabe, aquelas pessoas que estão lá quando o sol tá rachando e a festa pegando, mas também continuam quando tudo vira noite, as “ bad vibes ” batem e dúvidas e incertezas consomem o sono.   - Passaporte entra na mala! Se a vida é uma viagem, bora viajar mais em 2018! Viajar é co...

Mémoire poisson rouge.

“ Avoir une mémoire de poisson rouge ” é uma expressão francesa que significa: “ter uma memória curta” ou “não ter memória de nada”. Trocando em miúdos: é o cidadão que esquece as coisas muito facilmente no melhor estilo “Dory” (que é um peixe azul, não rouge , mas enfim), do desenho “Procurando Nemo”, ou então da célebre frase domingo-pós-balada: “se eu não lembro, eu não fiz”.   Mas me intriga a forma que usamos o verbo “esquecer” de forma equivocada. Queremos imputar uma “ação” ao coração, quando na verdade a semântica indica uma atitude do cérebro. Impossível tirar totalmente da nossa vida quem um dia foi motivo da nossa felicidade, pelo menos por algum tempo.  Esquecer significa, então, não “sentir" mais nada? Sinceramente, hmmm…sim e não. Seria mais um “superar”, vai. E superar um amor antigo não significa que ele não será mais lembrado, ou sentido. Afinal de contas, cheiros, lugares, comidas e pessoas nos fazem relembrar ou recordar situações, porém,...

Fragmentos.

Este post nasce em um momento bastante especial da minha existência. Traz, de um lado, os fragmentos de que toda enumeração é uma estupidez, e de outro que qualquer tipo de formulário emocional é uma passagem sem escalas para frustração.  Acredito que todo ser humano deseja estar e se relacionar com gente culta, atenciosa, interessante, divertida, inteligente, charmosa, sexy, bonita, com ambição e trabalhadora. Oras, quem não?!  Quem de vocês, meninas, j á  não ficou enfeitiçada com citações, elucubrações e teses da rapaziada?! Aquela cantada “ chicobuarqueana ” na lata! Ou toda animada com a enxurrada de “like attack” do crush nas redes sociais!? Hein?!  Mas de nada adianta um perito em física quântica, se o cara não rir das pequenas besteiras que faz, ou se não souber aproveitar um domingo chuvoso simplesmente não fazendo nada. Da mesma maneira que não adianta uma executiva-independente-linda-modelo-bum-bum-da-Izabel-Goulart se não souber rir de ...

E dá-lhe cantada!

Sentado num Café outro dia, acompanhado do bom e velho Rubem Braga (me refiro ao livro, lógico), não pude deixar de ouvir a conversa de duas mulheres sentadas na mesa ao lado. Tentei não ser curioso, juro que tentei, mas fiquei intrigado com o tema discutido: “homem não sabe mais seduzir”. Não vou negar que dessa conversa fui obrigado a anotar algumas coisas, j á  que foi um man á - dos-céus as dicas (e reclamações) que aquelas duas desabafaram.   “Ah amiga, tá tudo tão pá-pum, né: olhou, se apresentou, elogiou a bunda e já vai querendo botar a mão!” Haha confesso, ri. Rapaziada, não quero aqui ser o advogado do diabo - afinal de contas, jogo no mesmo time que vocês -   mas sejamos francos: mulher não é mamão pra se escolher apalpando. (E que aquelas duas meninas do Café gritem “amém!”)   Fico imaginando a cara de decepção que teria Vinicius de Moraes se visse a rapaziada de hoje em dia…em vez da “Garota de Ipanema”, o hino seria “Bum-bum tam-ta...